É o grande problema interior, aquele de cada um e de todos. É o problema da alma, que descobre em si mesma um abismo de trevas e de luz, que se contempla com uma mistura de encantamento e de pavor e se diz: "Eu não sou deste mundo, pois ele não é suficiente para me explicar".
Os grandes Iniciados- Édouard Schuré

8 de out de 2012

De leve...

08/10/2012
8+1+5=
14/5



Que eu saiba tocar com leveza!!!



"— Não estar disponível significa que você propositadamente evita esgotar-se a si e aos outros — continuou. — Significa que você não está faminto nem desesperado, como o pobre filho da mãe que acha que nunca
mais vai comer na vida e então devora toda a comida que pode, todas as cinco codornas!
Dom Juan estava positivamente fazendo falsete comigo. Eu ri, c isso pareceu agradar-lhe. Tocou de leve em minhas costas.
— Um caçador sabe que atrairá a caça várias vezes para sua armadilha, de modo que não se preocupa. Preocupar-se é tornar-se acessível, acessível sem o saber. E depois que você se preocupa, agarrase
a qualquer coisa, em desespero; e uma vez que você se agarra, é provável que se esgote ou esgote a quem ou o que você se estiver agarrando.
Disse-lhe que, em minha vida diária, era inconcebível ser inacessível. Meu argumento era que, para funcionar, eu tinha de estar ao alcance de todas as pessoas que tivessem alguma coisa a ver comigo.
— Já lhe disse que ser inacessível não significa esconder-se, nem ser misterioso — disse ele, calmamente. — Não significa tampouco que você não possa lidar com as pessoas. Um caçador usa seu mundo com
parcimônia e ternura, sem considerar se o mundo é de coisas, plantas, animais, pessoas ou poder. Um caçador trata intimamente com seu mundo e, no entanto, é inacessível a esse mesmo mundo.
— Isso é uma contradição — falei. — Ele não pode ser inacessível se está ali no seu mundo, hora após hora, dia após dia.
— Você não entendeu — disse Dom Juan, paciente. — Ele está inacessível porque não está espremendo o mundo até este perder a forma. Ele o toca de leve, fica o tempo que precisa, e depois passa adiante rapidamente, quase sem deixar marca."
Viagem a Ixtlan, Carlos Castaneda

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