É o grande problema interior, aquele de cada um e de todos. É o problema da alma, que descobre em si mesma um abismo de trevas e de luz, que se contempla com uma mistura de encantamento e de pavor e se diz: "Eu não sou deste mundo, pois ele não é suficiente para me explicar".
Os grandes Iniciados- Édouard Schuré

17 de ago de 2011

Feminino...

17/08/2011
8+8+4=
2






"Por aqui se vê perfeitamente que Eva não é a costela de ninguém! É, antes, uma deusa e, como todos esses imortais, nasce adulta - um nascimento milagroso. Atrás dela, ergue-se a sua gloriosa serpente. Não são lindas as duas? Mas Adão está dormindo; nem sabe que ela existe. Hoje ele começa a despertar para a realidade dela, mas ainda não sabe muita coisa a seu respeito. Na verdade, nem mesmo Eva está plenamente convencida da própria realidade. Se olhar para o rosto dela, você a verá ainda absorta num sonho, colocada, como a Miranda de Shakespeare, no limiar de um Corajoso Mundo Novo.


Assim é o 2... o feminino... e para ilustrar com maior riqueza de detalhes segue o capítulo, particularmente não o vejo de forma literal, mas simbólica:

Há um boato segundo o qual a luz da Lua é de qualidade inferior, pois ela não passa de um refletor da poderosa glória do Sol ela não tem essência nem divindade próprias. Que é que a senhora pensa sobre isso?
            "Ora", disse a Papisa, meneando a cabeça. "Quem quer que dê curso a boatos assim - não há de ser mulher, você pode estar certa! Felizmente, tenho aqui uma coisa que lhe sossegará o coração."          Dizendo isso, a dama tirou do seu volumoso manto uma gravura. "Como está vendo", prosseguiu, "eis aqui um excelente quadro de Rafael - Deus Criando as Duas Grandes Luzes. Veja com os seus próprios olhos como Ele fez, pessoalmente, o Sol e a Lua ao mesmo tempo, com cada uma das suas mãos. (Fig. 12)
            "Não", continuou ela, "toda essa questão de primeiro ou de segundo não tem importância alguma. O dois é o número de toda a vida; sozinho, o um não pode fazer nada. Até o Senhor, como você não ignora, precisou do dois para poder encetar a tarefa da criação. Há outro famoso retrato d'Ele que o demonstra com perfeita clareza - o Deus Criando o Universo, de Blake (Fig. 11). Mostra o barbudo Criador com um compasso na mão, estendendo um braço comprido desde o Grande Círculo do Céu, em vias de traçar o círculo microscópico à imagem e semelhança do macroscópico. Para poder fazê-lo, Ele - até Ele - precisou usar as duas pernas do compasso: uma para fixar e estabilizar o centro do Seu círculo e outra para descrever-lhe a circunferência. Sim, até o Todo-Poderoso teria ficado impotente com um só. Para fazer um todo é indispensável o dois... é indispensável o dois".
Jung e o Taro
Sallie Nichols 






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