É o grande problema interior, aquele de cada um e de todos. É o problema da alma, que descobre em si mesma um abismo de trevas e de luz, que se contempla com uma mistura de encantamento e de pavor e se diz: "Eu não sou deste mundo, pois ele não é suficiente para me explicar".
Os grandes Iniciados- Édouard Schuré

17 de set de 2010

Verdades





17/09/2010
8+9+3=20
2


Lendo hoje a respeito da Dádiva e da Dívida, fiquei pensando a respeito do 2, do feminino. Nossa sociedade sempre associa a dívida ao feminino. Eva nos torna devedores pela eternidade. Será que não é por essa razão que nos sentimos culpados a todo instante? Todos, homens e mulheres, temos dentro de nós o feminino. Se este é tão devedor me sobra a culpa. Esta na hora de assumirmos nosso poder, nossa força, mas para isso é preciso me conhecer. O 2 nos fala deste recolhimento para poder conhecer. Existe uma enorme diferença entre submissão e passividade. As características do feminino foram deturpadas, assim como as do masculino. Mas esta é outra estória...
Conversando com a minha mãe pude refletir a respeito da nossa constante tentativa de defender a vista de um ponto. Contudo, todas as verdades são meias verdades. Queo o 2 abra nossos corações e se una a mente para manifestar o que nos faz plenos...


Morgana fala...
    Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. Na verdade, cheguei agora a ser maga, e poderá vir um tempo em que tais coisas devam ser conhecidas. Verdadeiramente, porém, creio que os cristãos dirão a última palavra. O mundo das fadas afasta-se cada vez mais daquele em que Cristo predomina. Nada tenho contra o Cristo, apenas contra os seus sacerdotes, que chamam a Grande Deusa de Demônio e negam o seu poder no mundo. Alegam que, no máximo, esse seu poder foi o de Satã. Ou vestem-na com o manto azul da Senhora de Nazaré - realmente poderosa, ao seu modo -, que, dizem, foi sempre virgem. Mas que pode uma virgem saber das mágoas e labutas da humanidade?
    E agora que o mundo está mudado e Artur - meu irmão, meu amante, rei que foi e rei que será - está morto (o povo diz que ele dorme) na ilha sagrada de Avalon, é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e suas lendas.
    Pois, como disse, o próprio mundo mudou. Houve um tempo em que um
viajante, se tivesse disposição e conhecesse apenas uns poucos segredos,
poderia levar sua barca para fora, penetrar o mar do Verão e chegar não
ao Glastonbury dos monges, mas à ilha sagrada de Avalon; isso porque, em
tal época, os portões entre os mundos vagavam com as brumas e estavam
abertos, um após o outro, ao capricho e ao desejo do viajante. Esse é o
grande segredo, conhecido de todos os homens cultos de nossa época: pelo
pensamento criamos o mundo que nos cerca, novo a cada dia.
    E agora os padres, acreditando que isso interfere no poder do seu deus, que criou o mundo para ser definitivamente imutável, fecharam os portões (que nunca foram portões, exceto na mente dos homens), e os caminhos só levam à ilha dos padres, que eles protegeram com o som dos sinos de suas igrejas, afastando todos os pensamentos de um outro mundo que vive nas trevas. Na verdade, dizem eles, se aquele mundo realmente existe, é propriedade de Satã e a porta do inferno, se não o próprio inferno.
    Não sei o que o deus dele pode ter criado ou não. Apesar das histórias contadas, nunca soube muito sobre seus padres e jamais usei o negro de uma de suas monjas-escravas. Se os cortesãos de Artur em Camelot fizeram de mim este juízo, quando lá fui (pois sempre usei as roupas negras da Grande Mãe em seu disfarce de maga), não os desiludi. E na verdade, ao final do reinado de Artur, teria sido perigoso agir assim, e inclinei a cabeça à conveniência como nunca teria feito a minha grande senhora, Viviane Senhora do Lago, que depois de mim foi a maior amiga de Artur, para se transformar mais tarde em sua maior inimiga, também depois de mim.
    A luta, porém, terminou. Pude finalmente saudar Artur, em sua agonia, não como meu inimigo e o inimigo de minha Deusa, mas apenas como meu irmão e como um homem que ia morrer e precisava da ajuda da Mãe, para a qual todos os homens finalmente se voltam. Até mesmo os sacerdotes sabem disso, com sua Maria sempre-virgem em seu manto azul, pois ela, na hora da morte, também se transforma na Mãe do Mundo.
    E assim, Artur jazia enfim com a cabeça em meu colo, vendo-me não como irmã, amante ou inimiga, mas apenas como maga, sacerdotisa, Senhora do Lago; descansou, portanto, no peito da Grande Mãe, de onde nasceu, e para quem, como todos os homens, tem de finalmente voltar. E talvez - enquanto eu guiava a barca que o levava, desta vez não para a ilha dos padres, mas para a verdadeira ilha sagrada no mundo das trevas, que fica além do nosso, para a ilha de Avalon, aonde agora poucos, além de mim, poderiam ir - ele estivesse arrependido da inimizade surgida entre nós.

Ao contar esta história, falarei por vezes de coisas que ocorreram quando eu ainda era demasiado jovem para compreendê-las ou quando não estava presente. Meu leitor fará uma pausa e dirá, talvez: "Esta é a sua magia". Mas eu tive sempre o dom da Visão, de ver o interior da mente dos homens e mulheres; e, durante todo esse tempo, estive perto de todos. Assim, por vezes, tudo o que pensavam era do meu conhecimento, de uma forma ou de outra. Por isso, contarei esta história.
    Um dia também os padres a contarão, tal como a conhecem. Talvez entre as duas se possam perceber alguns lampejos de verdade.
    O que os sacerdotes não sabem, com o seu Deus Uno e sua Verdade Única, é que não existe história totalmente verdadeira. A verdade tem muitas faces e assemelha-se à velha estrada que conduz a Avalon; o lugar para onde o caminho nos levará depende da nossa própria vontade e de nossos pensamentos, e talvez, no fim, cheguemos ou à sagrada ilha da eternidade, ou aos padres, com seus sinos, sua morte, seu Satã e o inferno e danação... Mas talvez eu seja injusta com eles. Até mesmo a Senhora do Lago, que odiava a batina do padre tanto quanto teria odiado a serpente venenosa, e com boas razões, censurou-me certa vez por falar mal do deus deles.
    Todos os deuses são um só Deus, disse ela, então, como já dissera muitas vezes antes, e como eu repeti para minhas noviças inúmeras vezes, e como toda sacerdotisa, depois de mim, há de dizer novamente, "e todas as deusas são uma só Deusa, e há apenas um iniciador. E a cada homem a sua verdade, e Deus com ela."
    Assim, talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho de Avalon, perdido para sempre nas brumas do mar do Verão.
    Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana, que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada.

As Brumas de Avalon.
A Senhora da magia.
download do livro

2 comentários:

  1. Bom dia,meninas. Adorei a postagem do dia e que tal a vista de um outro ponto? É apenas um convite....Ano C
    Dia: 17/09/2010
    Discípulas e missionárias de Jesus
    Lc 8,1-3

    Algum tempo depois Jesus saiu e viajou por cidades e povoados, anunciando a boa notícia do Reino de Deus. Os doze discípulos foram com ele, e também algumas mulheres que haviam sido livradas de espíritos maus e curadas de doenças. Eram Maria, chamada Madalena, de quem tinham sido expulsos sete demônios; Joana, mulher de Cuza, que era alto funcionário do governo de Herodes; Susana e muitas outras mulheres que, com os seus próprios recursos, ajudavam Jesus e os seus discípulos.

    Comentário do Evangelho
    Os Doze e as mulheres

    Neste curto texto temos um sumário da ação missionária. Esta forma redacional é comum nos Evangelhos e em Atos. O sumário fala do bom andamento da ação missionária e é inserido em momentos de mudança de cena nas narrativas.
    Após o sumário, Lucas apresenta uma particularidade: a marcante presença das mulheres no movimento de Jesus. Jesus abandonara Cafarnaum para anunciar a outras cidades a Boa-Nova do Reino de Deus (Lc 4,43). Agora, a missão está em pleno andamento através de cidades e povoados rurais. Lucas descreve a equipe missionária que acompanha Jesus: os Doze e algumas mulheres. Um grupo masculino e um grupo feminino. "Os Doze", como um bloco, remete a uma lista de Doze apóstolos, elaborada pelas comunidades primitivas oriundas do Judaísmo, caracterizando o movimento de Jesus com a continuidade das doze tribos de Israel. Por outro lado temos o grupo das mulheres, três delas sendo identificadas por seu nome. Causa admiração que uma delas, Joana, seja mulher de um alto funcionário de herodes. Espíritos maus, doenças e demônios significam as diversas formas de exclusão da ideologia do Judaísmo, impostas sobre as mulheres. Estas mulheres, e particularmente Madalena, foram libertadas de sua exclusão social e integradas no convívio comunitário de Jesus.

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  2. Seja bem vinda mais uma vez querida, fico feliz em saber que a mudança de consciência esta acontecendo em todos os lugares...

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