É o grande problema interior, aquele de cada um e de todos. É o problema da alma, que descobre em si mesma um abismo de trevas e de luz, que se contempla com uma mistura de encantamento e de pavor e se diz: "Eu não sou deste mundo, pois ele não é suficiente para me explicar".
Os grandes Iniciados- Édouard Schuré

21 de out de 2010

Ego e Self




21/10/2010
3+1+3=
7


O 7 representa as  influências do ego agindo sobre o indivíduo e a certeza de que é possível ser mais do que ele representa, vencer o ciclo natural do bem e do mal, assim completando e findando o ciclo promete a certeza da realização, da vitória. O 7 é o carro no tarot, ele traz a vitória, mas para aquele que tirou o ego do comando. O ego é como os dois cavalos, cada um querendo ir para um lado. Quando você não mais acredita que seu ego é você, uma parte sua adormecida pode despertar, é a parte que contém tudo, esta tem capacidade para conduzir a carruagem e chegar a vitória.  
O ego é extremamente unilateral, vê as coisas apenas pelo seu ponto de vista.
 É ele que teme a morte, ele teme morrer.
Se identificar com o ego a tal ponto de ter a ilusão que ele é você é um problema.
O 7 na numerologia nos fala do espiritual e material trabalhando juntos, ou seja, 3+4. Não perder contato com nossa voz interior, nos assegura uma vida mais plena, mais próxima da bem aventurança...
A vitória está em cada uma de nossas partes funcionarem em conjunto, cada qual desempenhando a função que lhe cabe.
Se resgatarmos o funcionamento sadio de nosso Ser, certamente nos sentiremos Um com tudo que existe...
partes de um organismo maior...
Individualidade nada tem a ver com estar separado, mas a descoberta de uma unidade indivisível. Assim funcionaríamos como um TODO e saberíamos nos relacionar e cooperar mutuamente. E isso certamente nos leva a vitória.
Um processo de interiorização nos leva a descobrir que somos um com tudo o que existe. Assim como as células do meu corpo, também sou célula de um organismo maior, e assim por diante.
E como tenho desempenhado meu papel?
O ego para Jung é a parte que trazemos consciente, mas somos muito mais... O ego pode ir se desenvolvendo e trazer para consciência partes do inconsciente... é o que buscamos fazer ao percorrer o caminho do despertar. O self seria a nossa totalidade e o processo de individuação é esta busca de quem somos, do que gostamos, qual é nossa parte nisso tudo.

 O ego, segundo Jung:

"Entendo o ‘Eu’ (Ego) como um complexo de representações que constitui para mim (indivíduo), o centro do meu campo de Consciência e que me parece ter grande continuidade e identidade comigo mesmo. Por isso, falo também do complexo do Eu ou complexo do Ego. O complexo do Eu é tanto conteúdo quanto condição da Consciência, pois um elemento psíquico me é consciente enquanto estiver relacionado com o complexo do Eu. Enquanto o ‘Eu’ for apenas o centro do meu campo consciente, não é idêntico ao todo de minha psique, mas apenas um complexo entre outros complexos.

Por isso distingo entre Eu (Ego) e Si-mesmo (Self). O Eu é o sujeito apenas da minha Consciência, mas o Si-mesmo é o sujeito do meu todo, também da psique inconsciente. Dentro dele está o Eu.

O Si-mesmo ‘gosta’ de aparecer na fantasia inconsciente de 'personalidade superior' ou 'ideal', assim como, por exemplo, o Fausto de Goethe e o Zaratustra de Nietzsche. Neste sentido, o Si-mesmo seria a grandeza ideal que encerraria personalidade superior ou ideal (...) Por amor à idealidade, os traços arcaicos do Si-mesmo foram apresentados como distintos do Si-mesmo ‘superior’: em Goethe,na forma de Mefisto; em Spitteler na forma de Epimeteu; na psicologia, como o demônio ou o anticristo; em Nietzsche, Zaratustra descobre sua Sombra no ‘mais feio dos homens’."Tipos Psicológicos, C.G. Jung, p. 406Para que ocorra o processo de Individuação, é necessário que o Ego se confronte com os aspectos contidos na Sombra. O confronto de Ego x Sombra se faz importante pelo fato de que diante desta confrontação é que o Ego tomará consciência de seus medos, fraquezas e negligências em relação a forma como se relaciona com o Inconsciente e em relação a como se relaciona com o mundo externo. A partir deste momento se torna fundamental, tanto quanto conhecer o sentido do termo Ego, saber o que significa esta Individuação, base da psicanálise junguiana

A Individuação:
"A Individuação, em geral, é o processo de formação do Ser Individual e, em especial, é o desenvolvimento do indivíduo psicológico como ser distinto do Conjunto Humano, da Psicologia Coletiva. É portanto um processo de diferenciação que objetiva o desenvolvimento da personalidade individual. É uma necessidade natural, e uma coibição dela traria prejuízos para a atividade vital do indivíduo. A individualidade já é dada física e fisiologicamente, e daí recorre sua manifestação psicológica correspondente. Colocar-lhe sérios obstáculos significa uma deformação artificial.

É óbvio que um grupo social constituído de indivíduos deformados não pode ser uma instituição saudável e capaz de sobreviver por muito tempo, pois só a sociedade que consegue preservar sua coesão interna e seus valores coletivos, num máximo de liberdade do indivíduo, tem direito à vitalidade duradoura. Uma vez que o indivíduo não é um ser único mas pressupõe também um relacionamento coletivo para sua existência, também o processo de Individuação não leva ao isolamento, mas a um relacionamento coletivo mais intenso e mais abrangente.

O processo psicológico da individuação está intimamente vinculado à assim chamada Função Transcendente, porque ela traça as linhas de desenvolvimento individual que não poderiam ser adquiridas pelos caminhos prescritos pelas normas coletivas.

Em hipótese alguma pode a Individuação ser o único objetivo da educação psicológica. Antes de tomá-la como objetivo, é preciso que tenha sido alcançada a finalidade educativa de adaptação ao mínimo necessário de normas coletivas: a planta que deve atingir o máximo desenvolvimento de sua natureza específica deve, em primeiro lugar, poder crescer no chão em que foi plantada.
A Individuação está sempre em maior ou menor oposição à norma coletiva, pois é separação e diferenciação do geral e formação do peculiar, não uma peculiaridade procurada, mas que já se encontra fundamentada a priori na disposição natural do sujeito. Esta oposição, no entanto, é aparente; exame mais acurado mostra que o ponto de vista individual não está orientado contra a norma coletiva, mas apenas de outro modo. Também o caminho individual não pode ser propriamente uma oposição à norma coletiva pois, em última análise, a oposição só poderia ser uma norma antagônica. E o caminho individual jamais é uma norma.

A norma surge da totalidade de caminhos individuais, só tendo direito a existir e atuar em prol da vida se houver caminhos individuais que, de tempos em tempos, queiram orientar-se por ela. A norma nada serve se tiver valor absoluto. Só acontece um verdadeiro conflito com a norma coletiva quando um caminho individual é elevado à norma, o que é a intenção última do individualismo extremo. Consequentemente, nada tem a ver com individuação que, sem dúvida, toma seu próprio caminho lateral, mas que, por isso mesmo, precisa da norma para sua orientação perante a sociedade e para estabelecer o necessário relacionamento dos indivíduos na sociedade.

A individuação leva, pois, a uma valorização natural das normas coletivas; mas se a orientação vital for exclusivamente coletiva, a norma é supérflua, acabando-se a própria moralidade. Quanto maior a regulamentação coletiva do homem, maior sua imoralidade individual. A individuação coincide com o desenvolvimento da consciência que sai de um estado primitivo de identidade(v). Significa um alargamento da esfera da consciência e da vida psicológica consciente." Tipos Psicológicos, C.G.Jung, pp. 426 a 428

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