É o grande problema interior, aquele de cada um e de todos. É o problema da alma, que descobre em si mesma um abismo de trevas e de luz, que se contempla com uma mistura de encantamento e de pavor e se diz: "Eu não sou deste mundo, pois ele não é suficiente para me explicar".
Os grandes Iniciados- Édouard Schuré

3 de out de 2010

Terra devastada




03/10/2010
3+1+3=
7

Esta parte da entrevista é exelente para ilustrar o 7. Este número nos fala de dois opostos se unindo: o quadrado da matéria e o triânculo da espiritualidade. Podemos analisá-lo sob vários aspectos, e como tudo o que está em cima é como o que está embaixo, pode ser relacionado também a Intelectualidade e a intuição. Como de costume quero colocar uma questão para hoje: Sou uma terra devastada? Faço só o que me mandam fazer? O que eu tento passar para as pessoas com relação a minha imagem condiz com meu interior? Vocês devem estar pensando: Espera um pouco!!! Você disse uma questão... rsrs... desculpem, não resisti...rsrs...
Agora megurlhem fundo nesta entrevista, usando seu intelecto e sua intuição ao mesmo tempo, bem dentro de vocês e vejam se conseguem resistir... rsrs

MOYERS: Que é que o Graal representa, então?

CAMPBELL: Existe um documento interessante sobre a origem do Graal. Um dos primeiros escritores diz que o Graal foi trazido dos céus pelos anjos neutros. Bem, durante a guerra, no céu, entre Deus e Satã, entre o bem e o mal, algumas hostes angélicas se colocaram do lado de Satã, e outras, do lado de Deus. O Graal foi trazido, através do caminho do meio, pelos anjos neutros. O Graal representa o caminho espiritual que se estende entre os pares de opostos, entre o medo e o desejo, entre o bem e o mal. O tema da história do Graal é que a terra, o país, todo o território de ocupação foi devastado. Isto se chama terra devastada. E o que caracteriza a terra devastada? É a terra em que todos vivem uma viva inautêntica, fazendo o que os outros fazem, fazendo o que são mandados fazer, desprovidos de coragem para uma vida própria. Isso é a terra devastada.
É isso o que T. S. Eliot quis dizer no seu poema “A terra devastada”.
Numa terra devastada, a superfície não representa a verdade do que supostamente representaria, e as pessoas vivem vidas inautênticas. “Em toda a minha vida, nunca fiz o que queria. Sempre fiz o que me mandaram fazer.” Você sabe...

MOYERS: E o Graal se torna...?

CAMPBELL: O Graal se torna... como poderia dizer?... aquilo que é logrado e conscientizado por pessoas que viveram suas próprias vidas. O Graal representa a realização das mais altas potencialidades espirituais da consciência humana. O rei Graal, por exemplo, era um jovem adorável, mas que não tinha feito jus à posição de rei Graal. Ele partiu do castelo com o grito de guerra “Amor!”, o que é próprio da juventude, mas não se coaduna com a condição de guardião do Graal. E, quando ele cavalgava, um muçulmano, um cavaleiro pagão, surgiu da floresta. Ambos erguem as lanças e se atiram um contra o outro. A lança do rei Graal mata o pagão, mas a lança do pagão castra o rei Graal. O que isso quer dizer é que a separação cristã entre matéria e espírito, entre o dinamismo da vida e o reino do espírito, entre a graça natural e a graça sobrenatural, na verdade castrou a natureza. E a mente européia, a vida européia, tem sido, por assim dizer, emasculada por essa separação. A verdadeira espiritualidade, que resultaria da união entre matéria e espírito, foi morta. O que representava, então, o pagão? Era alguém dos subúrbios do Éden. Era encarado como um homem da natureza, e na ponta da sua lança estava escrita a palavra “Graal”. Isso quer dizer que a natureza aspira ao Graal. A vida espiritual é o buquê, o perfume, o florescimento e a plenitude da vida humana, e não uma virtude sobrenatural imposta a ela. Desse modo, os impulsos da natureza é que dão autenticidade à vida, não as regras provenientes de uma autoridade sobrenatural. Esse é o sentido do Graal.

...CAMPBELL: O Graal se tornou o símbolo de uma vida autêntica, vivida de acordo com sua própria volição, de acordo com seu próprio sistema de impulsos, vida que se move entre os pares de opostos, o bem e o mal, a luz e a treva. Uma das versões da lenda do Graal começa a sua longa narrativa épica com um breve poema, que diz: “Todo ato traz bons e maus resultados”. Todo ato na vida desencadeia pares de opostos em seus resultados. O melhor que podemos fazer é pender na direção da luz, na direção do harmonioso relacionamento que resulta da compaixão pelo sofrimento, que resulta de compreender o outro. É disso que trata o Graal. E isso é o que ressuma da história.

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