É o grande problema interior, aquele de cada um e de todos. É o problema da alma, que descobre em si mesma um abismo de trevas e de luz, que se contempla com uma mistura de encantamento e de pavor e se diz: "Eu não sou deste mundo, pois ele não é suficiente para me explicar".
Os grandes Iniciados- Édouard Schuré

23 de out de 2010

Universalidade




23/10/2010
5+1+3=
9

3 ao quadrado, o número universal.
Estava relendo Os Grandes Iniciados e me deparei com a frase:
"As almas profundas e ternas têm necessidade de silêncio e paz para desabrocharem."
E isso veio depois de um dia tão turbulento e barulhento. Até minha cabeça está que é ruido só. Como desabrochar em meio a tanto barulho? Como olhar para si...se escutar...se importar? Como olhar para o outro em meio a esta confusão? Em meio aos papéis que teimamos em desempenhar todos os dias?
Vítima X Agressor. E o ciclo de agredidos e agressores se perpetua. E não pense que desempenhamos só um dos dois. Em um piscar de olhos passamos da vítima indignada a agressor implacável. Tudo em nome do que é justo, claro. Rsrs...
Nesse esquema das coisas aonde está a universalidade? Será posível manifestá-la?
Um estado de coisas, onde o convívio diário se estabeleça com pessoas que se encontram aptas a compartilhar...
Uma disposição de espírito, para que mesmo sabendo que as pessoas não permanecerão em nossa manifestação, ainda assim, estaremos dispostos a ajudá-las...
Capazes de se olhar nos olhos e dizer: eu mereço...
olhar nos olhos e dizer: isto eu quero ou isto eu não quero... iniciar o ciclo novo (1), tendo fechado o anterior (9).
Universalidade, o que possui carater de universal, para todos, em nome de todos...
Você querendo ou não seus atos são compartihados com todos...
Tudo o que fazemos reflete no todo...
Vamos aproveitar o dia de hoje para sairmos do estado vítima/agressor, vamos fechar este ciclo. Vamos nos considerar merecedores de algo mais... de um novo modo de se relacionar... Vamos escolher duas vezes a criatividade manifesta 3².

Pobres seres humanos,
Que têm a lhes servir apenas a linguagem
E os sinais não verbais.
Pobres criaturas,
Fragilizadas pelas asperezas
Do que pensam ser carga demasiadamente pesada para seus ombros.
Pobres seres,
Que sendo universais,
Não se apercebem dessa universalidade,
E vivem a debater-se entre questiúnculas menores,
Que mais lhes subtraem do que lhes acrescentam ao crescimento...
Pobres entidades,
Divididas entre as imposições sociais e os instintos,
Entre os sonhos de liberdade e as algemas da segurança...
Ser humano é padecer no paraíso!
É sonhar com noites estreladas,
E assistir à tempestade que apaga estrelas,
Varre desertos,
Agita oceanos,
Mas não consegue atingir o espírito dos indomáveis,
Que não se quedam a queixarem-se,
Que não se deixam abater,
E que não chamam de destino as próprias incompetências...
Ser humano é transcender muitos planos,
No planisfério da cosmologia universal;
É sacudir mundos, se necessário,
Para que suas idéias sejam levadas em consideração,
É contar com ajuda, mas não depender dela;
É sorrir ao sisudo,
É vislumbrar o caminho à frente,
Magnífico pelo simples fato de estar lá!
Ser humano é perceber as próprias fragilidades,
Mas não fazer planos em função delas;
É ir ao encontro de, ao invés de aguardar um encontro com;
É ter consciência
De que é a somatória de erros e acertos
Em um processo evolutivo que transcende a própria humanidade,
E que conduzirá,
Em função da opção feita por um ou por outro,
Às conquistas inimagináveis, ou a erros decepcionantes...
Ser humano é optar pelo imponderável, que gera vida,
Ao invés de optar pelo imutável, que é, em si, a própria morte;
É estar consciente da conexão que nos liga ao cosmos,
Sem reduzir essa consciência às regras humanas,
E, como humanas, falhas.
Ser humano é perceber o equilíbrio
Que mantém coesas todas as coisas,
É perceber que a natureza, na mais ampla acepção deste conceito,
Fluirá e refluirá,
Como uma gigantesca maré onisciente e onipresente,
E reposicionará o que for necessário
Para que este equilíbrio seja mantido ou restaurado...
Ser humano
É transcender a compreensão de si mesmo,
É ascender para realidades que são, ao fim,
A razão última da existência.
Ser humano é uma bênção,
Um dom,
Cuja recompensa depende da maneira de usá-lo.


J.B. Xavier

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